25 de dez de 2008

A coisa abstrata chamada "Mp3"

Antigamente, quando eu ainda tinha os meus discos de vinil (isso não faz muito tempo não, uns 4 anos atrás), o ato de se ouvir música era cercada de rituais; tais como, a escolha do disco na estante, depois a escolha da faixa, e por último, ouvir a canção apreciando a arte da capa ou dos enormes encartes que vinham com os long plays.

No final dos anos 80, os cds foram começando a se popularizar, a coisa deu uma compactada, a capa já não tinha mais o mesmo impacto artístico que no vinil. Em contrapartida, a qualidade digital do som era algo realmente impressionante, pois, eliminava aqueles ruidinhos dos discos de vinil.

Ao final de 90, começou a surgir o "mp3", que se tratava de um formato de arquivo sonoro comprimido, o que possibilitava a reunião de várias músicas em um mídia digital, sem perda de qualidade. Na minha opnião houve perda de muitas outras coisas valiosas, o mercado musical nunca mais será o mesmo, as vendas e rentabilidades dos músicos estão menores, a importância da capa do disco virou algo secundário (isso sem contar que quem baixa o arquivo, já passa o diretório diretamente para o aparelho, pra que ver capa então?).

Com o advento do mp3, a música virou algo invisível e intagível, onde está a graça de se admirar uma bela capa de um Yes ou um Genesis ? Outra perda com o mp3, é que se perdeu o interesse em procurar saber de informações técnicas do disco, tais como: quem compos o que... , quem tocou o que... , quem produziu o que... , quem fez capa do que..., onde foi gravado ... e etc. Até onde eu sei, esse tipo de informação não aparece no display dos mp3. O ouvinte moderno de hoje, que tem pressa pra tudo, será que vai se interessar em saber essas coisas? Certamente não.

Para ilustrar tal abstração, eu busquei no google imagem por "mp3".


Resultado da busca por "mp3"

Para se remeter ao formato, é imprescidível mostrar o aparelho! Agora se for feita uma busca por "vinil", ou "cd", as imagens resultantes terão tudo haver. Até mesmo a palavra "música" tem imagens que remetem a ela, a primeira é uma figura com uma clave de sol (não pensar em música ao se ver uma clave de sol é no mínimo uma brincadeira de mal gosto né).

Lembro-me como era difícil achar certas bandas, tinha que torcer para que algum conhecido do conhecido do amigo do vizinho tivesse o disco, para quem sabe, esse indivíduo grava-se em uma fita K7. Apesar do xiadinhos do vinil, tem bandas que eu ainda prefiro nesse formato, os Beatles por exemplo, ainda não conseguiram fazer algo decente no formato digital para os discos do fab four, a magia e atmosfera que o vinil cria é ímpar, outro exemplo, é se ouvir bandas punks como Buzzcocks e Black Flags, TEM QUE SER EM VINIL!

Apesar das dificuldades da época do vinil e do cd (durante o cd já não foi tão difícil assim de se achar as coisas), assim era muito mais interessante, os álbuns tinham um valor diferente, o sentimento de conquista era bem mais presente. Qual é a graça que se tem ao achar o link no rapidshare? Qual é a graça que tem em esperar o Emule baixar o arquivo todo? Tudo bem, é grátis. Mas nada substitui uma estante cheia de discos com capas originais, com grandes encartes para serem admirados durante a música.

Me chamem de tarado! Pois pra mim, a música é algo palpável, e não um mp3 voando por aí, que entra e sai dos ouvidos e ninguém sabe para onde foi depois.

Vamos retroceder no tempo, e em vez de livros subversivos sobre socialismo, vamos queimar os aparelhos de mp3 em praça pública!

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