30 de dez de 2008

A guitarra infinita de "Heroes"

Sei que este post foi copiado e colado do meu blog antigo, mas pelo fato de o Blogspot proporcionar a possibilidade de se postar vídeos e até canções, eu farei uso desse recurso para poder dar mais "vida" a este post que foi um dos meus favoritos, e em virtude das limitações do blog antigo, eu não pude sequer postar os link do clipe. Ejoy it!

Se sempre houve algo que me intrigou por anos, foi aquela introdução mágica e única da canção "Heroes" de David Bowie, aquele solo que "viaja pelo espaço"(como eu costumo dizer rsrsrs um amigo meu sempre diz que eu viajo muito quando uso essa expressão) e cria um climão único para essa canção (que pra mim é um dos maiores clássicos do rock).
A primeira vez que eu ouvi "Heroes", foi em uma fita K7 gravada de um vinil de um amigo em 1994. Desde então, essa guitarra espacial sempre me encantou. Mas o que há por trás desse solo tão impressionante e simples ao mesmo tempo ? As pessoas ? A Técnica ? Bem isso vocês saberão agora.

O "Sustain infinito" ou a "guitarra infinita" já era um antigo sonho de Brian Eno, que tentava experimentalmente conseguir resultados semelhantes em 1972. Entretanto, somente em 1973, ao trabalhar com o excelente guitarrista Robert Fripp (da banda de progressivo King Crimson), Eno conseguiu dar sons à sua imaginação. Através de trucagens de estúdio, delays e uso de tapes sobrepostos, Eno e Fripp conseguiram algo que fazia com que os solos "voassem" pelo espaço, podendo ser conferido no disco "No Pussyfooting" de Eno & Fripp, sobretudo na canção "Frippertronics".


Enquanto uns quebram, outros são rápidos… Fripp "cria" !

Apesar do advento da técnica, isso ficou restrito ao experimentalismo e aos discos de Eno. Anos mais tarde, Eno & Fripp participaram do discaço "Heroes" de David Bowie, introduzindo o efeito a pop music.

Desde então, guitarristas queriam usar o mesmo efeito de Fripp. Steve Hakett utilizava um efeito semelhante, mas não de sustain infinito, e sim um sustain temporário que se confundia com os teclados da época (o assunto Hakett fica para um post futuro).

Em 1976, o equipamento "Ebow" foi introduzido no mercado, o que proporcionava o famoso efeito, isso graças às vibrações magnéticas do equipamento. O curioso é que Fripp, é tão safo, mas tão safo, que nunca fez uso do ebow, e recorre a técnica clássica criada por ele e por Eno.


Ebow em ação

Anos depois, the Edge do U2 veio utilizar o ebow nos discos "the unforgettable fire" e "the Joshua tree" (aquele efeito da introdução de "with or without you"), The Edge deu uma cara nova para as guitarras dos anos 80. Muita gente fez uso desse equipamento, e de diferentes aplicações, por exemplo: The jesus and Mary Chain, usa o ebow numa tentativa de remeter às distorções empregadas por John Cale nos tempos de Velvet Underground; Cocteau Twins; Sigur Ros, e etc.

Dentre os que fizeram algo de novo com esse efeito (além do mestre Fripp, e de Hakett, David Gilmour,The Edge, Eddie Van Hallen), foi Jonny Greenwood do Radiohead que deu novos "ares" de desespero e sustains desenfreados ao sustain infinito, como se pode conferir em "Ok Computer" (um dos últimos discos de rock conceitual da nossa era).

Hoje em dia, o ebow é usado até mesmo por bandas de metal, vide aqueles solos rapidíssimos, graças, na maioria das vezes, ao "Tap" no braço da guitarra", o que torna qualquer um, um Flash nas guitarras.

Assim que eu conseguir realizar o upload da canção de Bowie "Teenage wildlife", eu disponibilizarei o player neste mesmo post para que vocês possam ouvir mais uma contribuição da guitarra infinita de Fripp.

Ao contrário do que diz a música, Fripp e Eno, não foram heróis por um dia, e sim por toda a eternidade.

Os fãs de rock e guitarristas agradecem.

UP FRIPP!

Veja o vídeo:

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