21 de fev de 2010

Covers marcantes


Vou falar com toda sinceridade que algo que despertava muita curiosidade e interesse em mim há anos atrás era ouvir prováveis covers que minhas bandas favoritas faziam. O que me motivava era conhecer os gostos dos meus artistas favoritos e ver como eles enxergavam os grupos que influenciaram eles.

Quando o assunto é cover, na minha opinião, a mais incrível de todas é a versão que Joe Cocker fez para "With a little help from my friends", essa canção me marcou muito pelo fato de tocar na abertura da série "Anos incríveis" (certamente a melhor série infanto-juvenil que já existiu). Quando vi o vhs do Woodstock pela primeira vez, pude ver a perfomance de Cocker cantando essa canção de arrepiar com o seu vozeirão bem áspero, mãos tortas quase epiléticas e costeletas no estilo Wolverine (ou seria Wolverine com costeletas no estilo Cocker?). Bem, o que importa é que eu na minha santa inocência, jamais havia atinado para o detalhe Lennon/McCartney na autoria da canção até eu olhar no rótulo do vinil no esquecido início dos anos 90. Quando eu li disse pra mim mesmo "Puta que pariu! Que canção dos Beatles é essa?"... foi quando caiu a ficha! Justamente a bela e alegre canção cantada por Richard Starkey (vulgo Ringo Starr) no disco Sgt. Pepper's (faixa 2 do lado A).


Outra cover que engana muita gente por aí é a bela versão que o Nirvana fez para "The man Who sold the world" durante o seu acústico, Cobain chega a dizer "Prometo não avacalhar com essa canção". Essa não foi a primeira releitura feita para uma música do camaleão, "Starman" (do clássico disco "The rise and fall of Ziggystardust and the spiders") foi regravada magistralmente pela banda brasileira Nenhum de Nós, contando até com uma letra alterada bem legal, o problema foi que a canção fez tanto sucesso que até grupo de pagode regravou... não vou me surpreender se tocar em alguma micareta da vida!


Johnny "masterfull" Cash gravou um pouco antes de sua morte um disco de covers chamado "American IV:the man comes around" o qual conta com belas releituras de canções surpreendentes e legais do mundo do pop rock, mas nenhuma foi tão surpreendente e incrível quanto "Hurt" do Nine Inch Nails. A versão de Cash é tão incrível que até o próprio Ninen Inch Nails reconhece que o cara fez melhor! Cowabanga!!!

Tem também o caso de "Mr. Tambourineman" de Bob Dylan, a versão do Byrds é praticamente a mesma diferindo em poucas coisas... o SOLO da introdução é o CARALHO N ROLL !!! (putz palavrão !!!). Isso mesmo, aquele solo da introdução com seus 9 segundinhos e um senhor baixão fazendo dum dum dum no fundo é de arrepiar, tudo bem que o trabalho de backing vocals do Byrds ficou legal também, mas esse solo... Jimi Hendrix fez uma versão legal para "All along the watchtower" de Dylan, parece que Dylan tem sorte para cair nas graças das covers.

O Devo fez uma versão para "Satisfaction" dos Rolling Stones que é muito interessante, tem quem não goste do Devo, mas acredito os caras eram muito mais punk que muita banda que se diz punk por aí. O Faith no More também fez história ao regravar "Easy" dos Commodores, realmente da pesada! Eu lembro que cheguei a ouvir o cd "king for a day, fool for a lifetime" do Faith no More que vinha com essa canção, esse disco também contava com a bela "take this bottle" e uma que nem lembro se é boa ou ruim "Caralho voador" (putz só lembro do nome). Aposto que o Fernandão deve ter esse ainda.

O Yo la tengo gravou "A house is not a motel" do Love, ficou com uma cara bem início de 80, essa me marcou , pena que eu já conhecia a original nesse momento. Uma cover que não é tão boa assim (na verdade, foi mais empolgação de fã), foi "Sattelite of love" de Lou Reed que o U2 fez durante sua Zoo TV, a utilidade dessa cover na verdade foi para me apresentar o mestre Lou Reed e seu Velvet Underground.

Incluo também nessa lista a versão de "dear prudence" que Siouxsie and the Banshees e "The people are strange" que o Echo and the bunnymen regravou para a trilha de "lost boys".

"Twist and shout" é uma canção clássica que foi tão bem tocada pelos Beatles que ela chega a se confundir com as demais canções do fabfour, pois, alegria e energia que só o quarteto sabia fazer.
Em contrapartida, os Stones despontaram ao regravar "i wanna be your man" dos Beatles. Me desculpem meus amigos fãs dos Beatles, mas a versão dos Stones é muito melhor.

É isso aí meus queridos, como vocês podem ver existem muitas covers marcantes, posso ter até esquecido de algumas (sorry). Assim como existem covers boas , também tem as ruins... mas isso é assunto para outro post em outro dia...

see ya

14 de fev de 2010

O Clone - Echo & the Bunnymen x Titãs x U2

Echo & the Bunnymen - Heaven Up Here de 1981.

Titãs - Volume dois de 1999


U2 - All that you can leave behind de 2000

11 de fev de 2010

The Rolling Stones: Their satanic Majestic request (1967)


O ano de 1967 foi realmente significativo para a história, não é a toa, afinal a maioria dos maiores discos do gênero foi lançado justamente nesse ano. A lista é grande, tais como Sgt. Peppers, Velvet Underground & Nico, Cream Disraeli gears,Jimi Hendrix Are you experienced?, the Who sell out, Love forever changes, Pink floyd at the pipers... por aí vai. No meio desse seleto grupo está incluso a resposta da vossa majestade Satânica vulgo The Rolling Stones.

"Their Satanic Majestic Request"( que eu chamarei daqui pra frente como TSMR), foi praticamente gravado concomitantemente ao Sgt Pepper's dos Beatles. Tudo bem que foi lançado meses depois do que o álbum do Fab four, mas trata-se de uma das maiores bandas de todos os tempos e os Stones não poderiam ficar de fora das maluquices e experimentalismo que o momento propiciava. Tem gente que compara essa capa à de Sgt. Peppers, eu sinceramente, acho que isso é atribuído ao excesso de cores e extravagâncias, mas são artes completamente diferentes. Acho mais aceitável mencionarem o fato de cada uma das capas prestar homenagem ao grupo amigo (afinal os stones e os beatles eram Brothers!), em Sgt.Peppers pode-se ler "Welcome to the rolling stones" na blusa listrada da boneca loira. Enquanto que na capa dos Stones pode-se ver os rostos dos 4 beatles, em uma edição limitada, o rosto dos 4 aparecia por uma animação bidimensional.

O disco abre com "sing this all together", que tem um refrão bem forte e conta com vários vocais, inclusive com o de John Lennon. Vocês podem até dizer "Essa bosta não tá escrita em canto nenhum!!!", mas que é louco por Beatles consegue reconhecer a voz do Lennon bem no fundo cantando o refrão, ficando bem evidente na parte final da música. Não dúvido que os demais Beatles tenham participado.

"2.000 man" é uma daquelas canções bem estilo Stones way of life, eu lembro dessa canção num filme que vi na tv uma vez chamado "Pura adrenalina", filme bem engraçado por sinal. "In another land" é um momento único , trata-se de uma canção cantada pelo baixista Bill Wyman , essa canção dele está para esse disco como as de George Harrison no disco dos Beatles, sempre algo meio transcendental e esquisito, só que nesse caso essa música lembra muito o Pink Floyd de Syd Barrett, seus pianinhos mediavais dividem espaço com o refrão de Jagger e Richards, Eu só não gosto do ronco que acontece no final , mas tudo bem nesses tempos os caras achavam tudo "cool".

A exceção do disco é "sing this all together (see what happens)", que é na verdade um caos psicodélico e é a mais longa canção do disco, eu particularmente não gosto, mas reconheço que tem seu valor experimental.

"Shes a rainbow" uma pérola dos Stones, canção de arrepiar e com uma bela letra ""She comes in colours everywhere\She combs her hair\ Shes like a rainbow", reparem que a canção quase não tem guitarras (mas tem bem no fundo, é só ouvir com headphones). Gosto muito do backing vocals de umas mulheres que fazem um "Uhn lá lá lá.." muito legal bem no fundo. Gosto muito de "The Latern", canção ideal para se praticar um violão num dia frio, os vocais de Jagger estão com um ar bem anestésico... ora porras, a música é ANESTÉSICA!

"2000 lights years from home" é a mais "rock' das canções de TSMR, com direito a uns mellotrons bem malucos que dão um ar bem no estilo asiático, deve ser devido a convivência no acampamento do maconheiro do Maharishi.

EM TSMR não tem mensagens tocadas ao contrário ou sons com frequência de 20.000 hertz somente para os cães ouvirem, mas tem algo que não predominou em Sgt. Peppers... guitarras e refrões fortes, pelo menos em Revolver predominou.
Fica a pergunta... seria essa a tal resposta da vossa majestade satânica então?

NOTA: 9,9

2 de fev de 2010

O Louva-a-Deus carniceiro de Bukowski


Se tem uma coisa que todo homem hetero teme é um atentado à sua masculinidade, dúvida? Então, ameaça cortar o prego de um fora, com certeza a reação não será tão desesperadora do que cortar o dedo mínimo. Outro exemplo é o que acontece no filme "Tropa de Elite", bastou o capitão Nascimento ameaçar meter a vassoura no bandidinho que ele entregou o Baiano na hora.

No conto "Louva-a-deus" de Charles Bukowski, o personagem Marty assistia TV de forma casual, aguardando a hora de encontrar sua namorada mais tarde. Entretanto, ele é abordado por uma quarentona de maquiagem e vestido barato chamada Lilly.

Lilly vai enrolando Marty com o seu papo, e o seduz pouco a pouco mencionando insetos assassinos e muito sexo. É muito legal a forma como Bukowski nos faz imaginar essa quarentona repetindo lentamente "Foder... foder... foder..." a poucos centímetros da face de Marty.

Logicamente que nas condições normais de temperatura e pressão, uma história escrita por Bukowski deveria ter um destino surpreendente e caótico. Lilly cai de boca no Marty ... FELAÇÃO!!! Hooray!!!

Já que estamos no universo de Bukowski, sabemos que um boquete de qualquer natureza será perfeitamente aceito por qualquer personagem masculino. Mas para o azar do Marty, a Lilly resolve encarnar o Louva a deus e dá uma decepada na pimba do rapaz.

Engraçado como nessas horas o ser fica desesperado e ao mesmo tempo envergonhado, Marty simplesmente não consegue descrever ao fone o que aconteceu.

Bukowski é assim, louco, sujo, culto e genial, uma mistura que pode parecer indigesta para muitos, mas aceitável para um Beatnik.

Eis o velho safado e suas notas

E o que pirocas isso tem haver com rock ? Bukowski mal sabia tocar a própria vida, quanto mais uma guitarra elétrica. Mas o que importa mesmo é o fato de o movimento beatnik, com suas histórias bem modernas, contracultural e sujas, é sem dúvida uma manifestação do rock na literatura.

Buk Rules!

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