12 de mar de 2010

Pink Floyd: The Dark Side of the Moon (1973)


Quando era mais novo, achava que rock progressivo era um monte de miolagem feita por maconheiros sem sentido para fãs com sérios problemas mentais e que obrigatoriamente tinha que ser composto por músicas longas e confusas. Nesse tempo eu era um babaca que nem o carinha da revista Set que implicou com as músicas de 5 minutos do Verve. Por sorte algo aconteceu na minha vida, e me fez ver que existia algo muito mais interessante do ponto de vista instrumental e artístico nos anos 70 além do punk.

Eu sempre tive comigo que o Pink Floyd sempre foi a banda de uma música só (no caso me refiro a música chata "Another brick in the wall"). Mas se tinha uma coisa que me intrigava era o tal disco do prisma, o qual está até hoje no Guinnes Book por ser o disco que mais tempo ficou nas paradas dos EUA (14 anos, se eu não me engano). O que será que esse disco tinha de tão especial? Porque tanto tempo de sucesso? Mas que droga era isso?

Não lembro ao certo que ano foi (acho que 96), o meu amigo Mark descolou um cd do "Dark side" aí gravamos numa fitinha K7 . Poderia até parecer desperdício de fitar gravar o "Lado A" do disco só no "A" da fita e deixar quase 1/4 de fita sem nada gravado. Mas no fundo, o maior crime seria com a gravação original, a qual foi feita para ser tocada do início até o fim. Lembro que a primeira vez que ouvi foi numa tarde de sábado, eu deitado na minha rede olhando o por do sol entre os açaizeiros do quintal de casa... que viadagem!!! Voltando para o disco, quando comecei a ouvir aquele coração com risos e vozes seguidos de um grito desesperado (não sei se de dor ou loucura), o qual é interrompido por uma guitarra gelada e deslizante acompanhada pelo belo vocal "Breahte... Breathe in the air..." Eu percebi nesse momento que o cara que usa drogas pra viajar é um perfeito otário que gasta sua grana nisso. Ouve Pink Floyd seu cagão!

Voltando ao disco... os slides que David Gilmour usa (sobretudo em "Speak to me/breathe ") voa no espaço!!! Tenho um amigo que diz que isso é delírio meu, mas é impressionante como ele faz a coisa flutuar lentamente e graciosamente "Marvelous"!

Eu confesso a única canção desse disco que eu nunca foi muito chegado foi "Money", mas é inegável que ela tem o seu papel fundamental na concepção do disco. O disco inteiro parecer ser uma canção só, cada uma das faixas vive seus momentos, mas sempre uma remetendo a outra.


Ao ouvir o "Dark Side" percebi que toda aquela miolagem que eu implicava tanto era na verdade uma grande obra de arte e eu não conseguia enxergar. Foi preciso, o Pink Floyd vir com seu álbum genial e ao mesmo tempo acessível, e as músicas nem são tão longas assim ( Us and them é a maior). Lógico que se compararmos com outras bandas como King Crimson e ELP, o Pink Floyd não é tão aloprado na questão instrumental e melódica, mas consegue repassar a compasso mais comportados e belos refrões as propostas do progressivo, que é uma verdadeira fusão do jazz com a música clássica e o rock. Um exemplo bom é "Brain Damage", cujas linhas de guitarra e baixo são muito simples, mas PERFEITAS, ao contrário de um Dragon Force que faz sequências infinitas de solos na velocidade da luz sem propósito algum.

"Brain Damage" e "Eclipse" (não pensem que é o filme de vampiros emos) são um dos maiores finais que já ouvi em um disco de rock , todo aquele papo de que "o lunático está na minha cabeça e etc" me fez pirar!!!

Tenho até hoje o cd que comprei com o dinheiro que sobrou da inscrição do vestibular (exatos 25,90, valor caro na época). Serei eternamente grato ao Pink Floyd, por ter me feito enxergar a grandiosidade dos dinossauros. Além disso, vi que nem tudo era resumido em "Another brick in the wall" como 99% das pessoas acham...

PS.: Alan Parson do "Alan Parsons Project" participou da equipe técnica que trabalhou no disco.

See you on the dark side of the moon

10

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