20 de abr de 2011

Editorial: O uso de celulares e câmeras em shows


A imagem acima, é uma cena muito comum em shows de rock, sobretudo em momentos quando a banda toca uma balada ou alguma canção que requer uma meditação e etc.. Esse tipo de ritual dos isqueiros foi muito comum nos anos 80, sobretudo em shows de bandas de rock de arena, love metal e coisas como Roxette. Era comum ter gente com isqueiro, mas que não fumava, só mantinha o objeto flamejante para fazer parte da presepada.

Também era comum gente vendendo isqueiros na porta dos shows. Afinal, por quê isqueiros? Devemos levar em consideração que muita gente que curte rock, gosta de dar um tapa em um careta (e alguns em um senhor charro), não é o meu caso, eu sou um careta propriamente dito. Por conta disso, era muito mais prático e barato (como os americanos dizem "Handy").

Os tempos passaram, muita coisa mudou... os shows mudaram, os fãs (passaram a fumar menos) e a música (um pouco, pra não dizer que piorou). Mas uma coisa me chamou atenção quando eu vi o show do Paul McCarteney na globo. Logo quando o show começa, a propósito começa já pegando fogo, em câmera panorâmica da transmissão, eu pude ver um mar de pontos iluminados. E eu garanto categoricamente que não eram isqueiros, e sim, celulares e câmeras filmadoras.

Bom, eu sei o quanto é legal registrar os momentos mágicos da vida, ainda mais quando se trata de um ex-Beatle ou um U2 tocando. Mas... e a curtição?

Os fãs ficam reféns tentando registrar os momentos para jogar no youtube para dizer "Eu estive lá!", mas você realmente curtiu plenamente? Eu percebi que isso não era um mal que ocorria só no início do show, se estendia ao longo do show. Também percebi que o público estava praticamente estático, comportado e comedido demais. Só para critério de exemplo, vou citar o dvd "There and Then" do Oasis de 1996, os fãs todos pulam, a imagem parece de um mar revolto. Também pudera, naquele tempo as câmeras e os celulares não eram tão comuns, logo eles tinham que prestar atenção ao máximo pro show... aproveitando cada segundo sagrado. Hoje em dia não, os caras preferem acompanhar o show olhando atráves de uma tela de LCD. Não importa se a bosta tá em HD ou em 3D, os caras ficam estáticos. E ver o público parado é a última coisa que um grande artista quer.

Não que eu esteja condenando quem filma, fotografa ou o raio que o parta, mas que vocês estão perdendo uma chance de se curtir o rock n roll em seu pleno vapor... ah isso estão. Podem até dizer "Blimbou, isso é despeito teu, porque vc é um liso que não tem grana pra ir pra grandes shows e bla bla bla". Eu lamento muito por perder grandes shows (inclusive, perdi o Iron Maiden em Belém, mesmo não gostando, queria ir), mas eu jamais cometeria a estupidez de acompanhar um show por um LCD.

até mais


PS.: No próximo post o NOVO RADIOHEAD!!!

3 comentários:

Manô disse...

Blimbou, eu concordo muito contigo! Gosto de levar minha máquina pro show, pra tirar uma foto da turma no local e tal, mas não curto filmar, porque nunca vai ser igual ao que vamos ver ao vivo. Normalmente a filmagem é ruim e o som é podre. Mas o que eu vejo, no geral, não só em shows, é que as pessoas estão vivendo através de um visor. Queria fazer um post sobre isso e acabei esquecendo. Tem gente que virou abobado digital mesmo. Perde tempo filmando e tirando milhoes de fotos ao invés de curtir o momento.

bjos (obrigada por me lembrar de um assunto para um novo post, ando meio sem criatividade...)

Blimbou disse...

Hmmm, interessante. Eu já tinha isso na cabeça há mais tempo, só vim ter o estalo de falar quando vi o up and coming na tv... essa questão do abobado digital tá bem mais ampla... é gente caindo em fonte de shopping ao prestar atenção demais pro celular, é gente que não consegue passar um minuto sem olhar em twitter e etc

Anônimo disse...

Apoiado.

Mark.

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