24 de mai de 2011

José Cid: 10.000 anos depois entre Vénus e Marte (1978)


Essa semana visitei um grande amigo meu, e como de costume ele me mostrou as "novidades" no pc dele. Até que ele me perguntou "Tu conhece o José Cid?", por um segundo achei que fosse algum conhecido ou pessoa que deveria conhecer ou coisa que o valha, mas não, no mesmo segundo eu vi a capa que encabeça o post na tela do pc dele. Pois bem, foi preciso ele deixar rolar um minutinho de uma faixa para me convencer a trazer o trabalho de José Cid para casa e quiçá comentar no blog... dito e feito.

Logo de cara, eu percebi que eles seguem uma linha muito bem praticada pelo Genesis de Peter Gabriel, a qual é contar grandes histórias dentro do rock progressivo. "Ora bolas, já que se trata da mais grandiosa vertente do rock, por que não fazer dela mais épica ainda?". José Cid conta as suas aventuras no espaço, narrando suas decepções ao reencontrar o sistema 10.000 anos após sua última passagem. Eu sei que é algo meio Ziggy Stardust ou coisa parecida, mas devo reconhecer que o trabalho instrumental do álbum é realmente memorável.

Eu sei que tem gente que pode estranhar de início o sotaque lusitano de José Cid, mas isso é frescura. Os caras passaram a vida ouvindo bandas britânicas sem entender porra nenhuma do que os caras falavam. A voz de José Cid me lembra um pouco a do bono vox colombiano Juanes, só que mais suave e menos nasal.

"A partir do zero" tem um trabalho excelente de teclados bastante complexos, isso sem falar no baixo muito bem tocado e rápido. "Memos" fecha o disco com uma vocalização no melhor estilo "The great gig in the sky".

Esse disco está na lista dos 100 melhores discos de progressivo da Billboard, para muitos foi uma surpresa. Eu posso dizer que foi uma "feliz" escolha e que os caras da billboard estão de parabéns no garimpo deles.

see ya


NOTA: 10

8 de mai de 2011

Foo Fighters: Wasting light (2011)


Depois de um certo tempo sumido, o Foo Fighters volta com um ótimo disco do bom e velho rock n roll sem frescura alguma ou pretensão de mudar o mundo ou os rumos da música. Se você é daqueles que gosta que uma banda arrisque e inclua sons de rãs peidando ao contrário ou ligue os sintetizadores em rádios am para fundir o som de uma narração de jogo de futebol ao do instrumento, ESQUEÇA! O Foo Fighters é uma banda de rock "feijão com arroz" ou do tipo "em time que está ganhando não se mexe". O próprio Grohl admite isso, pra que mudar? O rock n roll taí e pronto. Mas não é por isso que vamos viver refém dos compassos de sempre.

O Foo Fighters sempre fez aquele rock cujas guitarras são tocadas com vontade mesmo, ideal para se agitar uma festa. "Wasting Light" cumpre muito bem esse papel, nem eu que não sou tão fã deles gostei. Vamos ao disco.

"Bridge burning" abre o disco, canção bem legal no melhor estilo "The colour and the shape".Eu achei o riff introdutório bem incomum. Algo que pareceu ter sido gravado em uma caverna e com direito a um amplificador bastante surrado. O refrão é realmente muito legal e pega.

"Rope" é um dos hits do disco, com direito à clipe e muitas guitarras... muitas mesmo (sobre as guitarras, eu falo depois). "Rope" pareceu ter sido feita para o segundo disco deles, acho que isso se deve a volta de Pat Smear. Mas como sempre, Grohl aproveitou para "homenagear"(homenagem nada, ele copiou mesmo) um riff bem característico de "Pictures of Lilly" do The Who.

"Dear Rosemary" tem uma levada que lembra Husker Dü no seo refrão, mas quero chamar a atenção de vocês para a parte que precede o refrão... parece que a qualquer momento Grol vai emendar "Steady as she goes..." do The Racounters bem logo em seguida (pensa que me engana hein!). Mas Grohl é um cara legal, Jack White vai passar a mão na cabeça numa boa.

"White Limo" é uma porrada seca que tem até um clipe divertido com participações especiais e tals, mas só pude ouvir a música direito quando ouvi no meu fone e não sob influência das imagens do clipe. Eu sinceramente não conseguia tirar da minha cabeça "You think I ain't worth a dollar but i fell like a milionaire" do Queens of The Stone Age (ok, ok, Grohl é assumidamente fã e camarada de Josh Homme, essa passa).

Eu destaco as belíssimas "Arlandria" e "Walk"(inclusive fecha com chave de ouro o disco). "Walk" é um hit potencial para esse álbum, sucessão mesmo. Já "Arlandria" tem força e um refrão que é pra se cantar com vontade e alto nessa porra.

Não poderia deixar de falar no uso das 3 guitarras, afinal, já Pat Smear resolveu voltar, Grohl disse "Calma cara, só eu quem manda nessa porra! Tu tá dentro!". Pat Smear é parceiro antigo de Grohl, ele participou do acústico mtv do Nirvana e acompanhou o Nirvana durante a turnê "In utero", a propósito, um dos melhores shows do Nirvana que vi foi um que tem Pat Smear arrebentando perto daquele anjo aberto. Mesmo assim, não é desculpa para se enfiar três guitarras nos nossos ouvidos. Funciona bem, como por exemplo, em canções como "Bridge burning" e "these days", mas sinceramente... ainda acho inútil. É disperdício de canal de som, de guitarra e de salário, duas guitarras meninos... rock foi feito para no máximo duas guitarras. Senão, não comentam a estupidez que o Dado-Villa Lobos fez num especial da MTv no qual ele encheu o palco com umas 10 guitarras, todos fazendo um "Ré" quadrado! Vai enganar outro!

Outro amigo de longa data a dar as caras, foi Krist Novoselic (ex-Nirvana) com seu baixo na setentista "I should have known". Sinceridade amigos, a música é muito bonita, mas a contribuição do baixo de Novoselic foi meia boca.

Por último, a capa é realmente bem legal. No melhor estilo anos 70, algo bem retrô mesmo, mas como não podia faltar, eu não posso deixar de ressaltar que essa capa lembra (muito) a idéia usava no disco "Forever changes" do Love lançado no mágico ano de 1967.

Enfim, o disco é realmente muito bom, pode-se deixar tocando do início ao fim. Não há nada de novo, muitas "referências" e tal, no final o que temos é só o Foo Fighters animando o dia de alguém com muita guitarra e refrão.

See ya


NOTA: 9

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