22 de jun de 2011

Titãs: Cabeça dinossauro (1986)


"ROOOOOOOOOOOOOOOOOOOOOOOOOOOOOOOOOOOCK!!!"

É o urro que sempre imaginei para a "Cabeça Dinossauro" desenhada por Leonardo Da Vinci na capa do mais clássico e contundente disco de rock que uma banda brasileira já fez. Mas vamos nos lembrar um pouco antes, nos tempos do "Iê-iê-iê" (não confundir com Yeah yeah yeah dos Beatles), quando os Titãs faziam apresentações coreografadas no Chacrinha e cantavam letrinhas pueris como "Telefone" e "sonífera ilha", os trintões e quarentões de plantão beiram as lágrimas de lembrar estes tempos.

Eu diria que os Titãs eram "pré-adolescentes" nessa época. Foi em Cabeça Dinossauro que a trupe bizarra resolveu mostrar que cresceram, pêlos surgiram no corpo, o palavreado foi enriquecido com muito Beatnik e o foco não era mais o comércio... o Titãs definitivamente havia crescido.

A minha maior lembrança é de estar com os meus 7/8 anos, e adorava cantar "Bichos escrotos". Sem mesmo saber que raios significava "escroto" e nunca entender porque rolava um "piiii" irritante bem no meio do refrão. Acreditem, quando se é criança, até o "pi" eu cantava.

O meu contato com esse disco se restringiu ao que tocava nas rádios, e só vim conhecer "cabeça dinossauro" da fato na adolescência.

"AA UU" foi um dos hits, suas guitarrinhas bem legais e um refrão que pegava, ajudou muito. Mas o fato é que eu via muitos idosos falando "Isso é música de débil mental!". Então vai ouvir Kleyton e Cleydir porra!

"To cansado" tem uma riff logo no começo que me lembra muito uma música do The Offspring, mas eu não lembro o nome (é compreensível, pois não faço questão de conhecer nada dessa banda). Pois bem, "To cansado" é uma espécie de "Satisfaction" brasileira, mas enfoca no tédio de tudo, independente que seja bom ou ruim ("To cansado de bacanal... to cansado de trabalhar").

"Polícia" até outro dia tocava em uma série de tv, essa música foi feita após a prisão do Arnaldo Antunes e Tony Bellotto, assinada pelo sr. Mader. A voz de Sérgio Brito ficou perfeita para essa música, com toda a fúria que a letra precisava. Foi durante a execução dessa canção em um show na Escola Superior de Educação Física daqui de Belém que acertaram uma lata de cerveja (acredito que fosse Cerpa) bem na cabeça do Arnaldo Antunes, dizem que ele ficou mais normal depois dessa. O que sei é que Belém tem uma espécie de maldição, Renato Russo começou a pensar em parar de fazer shows depois de uma havainada que ele levou após oferecer "Índios" para os nossos índios aqui, aí jogaram uma Havaiana nele. O autor dessa façanha? Foi um cara que mora a 3 quarteirões da minha casa.

"Família" é certamente a canção menos "débil mental" do disco, como ela própria sugere, é um reggae feito para a família. Uma coisa que gosto de ressaltar sempre, é o talento de Nando Reis tocando contra-baixo. A letra é engraçada, fala de modo geral de tudo que sempre rola em uma família, mas tem uma coisinha que sempre me chamou atenção:

"mas quando a filha quer fugir de casa/
precisa descolar um ganha pão/
filha de família assim não casa/
papai mamãe não dão nenhum tostão"

É impressão minha ou a filha da família quer rodar a bolsa? Bom, deixa isso para os professores de literatura.

Mas ainda faltou eu falar na big mother fucker!!!

"Bichos escrotos", essa é o expoente máximo de todo o teor contundente e pesado que o titãs colocou nesse disco. E olha que tem "Igreja", na qual eles dizem que odeiam igrejas e os caralhos e tals! O diferencial, é que em "Bichos escrotos" eles querem que o caos seja implantado, chega dessa frescura! Queremos bichos escrotos saindo por todos os buracos, fodam-se bichos coloridinhos. Reparem no solo de baixo de Nando Reis, é realmente demais!!!

E de se imaginar que "dinossauros" caminharam sobre o Brasil em 86, a maioria dos fãs se prendeu a ouvir histórias de Eduardo & Mônica, o Ursinho Bla Blau e tantas outras idiotices sem sentido algum, que ainda demonstravam puros respingos da jovem guarda.

Nota: 10

1 comentários:

Ligia Begot disse...

Putz! Meu tio tem esse lp, sempre ouvimos juntos até hoje. Acredite, lembro até do tapão na orelha que recebi da mamãe quando eu cantei bem o "...vão se fuder", e olha que foi sem qualquer intenção! Como criança, apenas achei o refrão sincero. Nostalgia pura!

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