27 de jul de 2011

The Stone Roses (1989)


Em 1999, tive a agradável oportunidade de conhecer, tardiamente, uma das melhores bandas que o rock inglês já produziu em toda a sua história. Pode soar meio estranho para muitos, pois praticamente só que curtiu na época (na época mesmo) ou resolveu descobrir que o movimento britpop não se restringia somente ao Blur e o Oasis, conhece e com certeza adora Ian Brown & Cia.

Mas antes de comentar o disco em si, vamos nos reportar para o tal "britpop", termo que designa a retomada do cenário musical mundial para as mãos dos britânicos. Muita gente fazendo muito sucesso mesmo, como exemplo: Blur, Oasis, Spice Girls, Pulp, The Verve, Supergrass, Suede, Ocean Colour Scene, Travis, a lista é realmente longa, e olha que eu nem citei que o cinema inglês nessa época também pegou carona no oba oba cultural que ferveu a velha ilha da rainha.

Muitos dizem que o britpop teve início com os Smiths, eu discordo completamente, os Smiths surgiram e terminaram com o mesmo cenário esfumaçado e sem prosperidade. Em 89, surgiu uma banda que tinha uma proposta muito mais moderna do que as letras ambíguas dos Smiths(não desmerecendo os caras), mas o papel dos Stones Roses para consolidar o estilo musical e visual foi memorável. Guitarras sessentistas mas com efeitos bem rasgados e equalizados, roupas com a cara dos anos 90 e penteados com a cara do legítimo rock inglês. Pode conferir, a cabeleira de muito neguinho por aí, foi copiada dos Stones Roses, como exemplo temos os irmãos Gallagher, Johnny Greenwood do Radiohead e os nerds de classe média do Blur.

Manchester, pra variar, foi o berço dessa banda. Os Stone Roses são caracterizados pelo estilo bem melódico, som limpo, bem produzido, de vocal altamente suave de Brown (não confuda com o estilo chorão-babão de Cris Martin) e com batida dançante (em alguns casos).

"I wanna be adored" é um dos mais belos inícios de álbum que já ouvi. Brown praticamente implora nos refrões "I wanna be adoooooored...." simplesmente de arrepiar, e as guitarras de John Squire são demais. Squire usa muito bem os efeitos, dando a "cara" da guitarra do britpop. A linha de baixo dessa canção é realmente de assustar, o som do Rickenbaker de Gary Mounfield é imponente.

"I'm the ressurection" é a mais complexa de todo o disco, não necessariamente pela sua duração, mas sim, pela riqueza de melodias e mudanças quase que repentinas, tal como se faz no rock progressivo, só que com abordagem completamente moderna. O seu refrão chega soa como a "imploração" que Brown faz em "i wana be adored", só que num tom bem mais exaltado, na medida exata para a batida. Os solos dessa canção são demais, tanto de baixo quanto de guitarra. Gostaria de ressaltar que tem um momento (por volta de 3:45) a sequência de solos lembra muito de "The end" dos Beatles, muito mesmo. Afinal, quem nunca recorreu ao fabfour para ganhar inspiração na vida? Pior seria se eles recorressem à porcarias como um Luan Santana ou um Linkin Park.

A delirante "Don't stop" é uma viagem que aparenta estar soando ao contrário, como eu disse.... "aparenta", é apenas um trabalho excelente de efeitos feito por ele o qual é muito raro nas bandas de um modo geral, só bandas como Beatles, Pink floyd tem culhões para fazer bem feito.

"Waterfall" é marcante por uma levada única, é como se todos os elementos vocais e instrumentais fluíssem em um único caminho. É completamente perfeita. O vídeo abaixo falar por si só:



Essa apresentação de "Waterfall" para a tv eu ainda não tinha visto, e por curiosidade notei que foi justamente nesta apresentação que foram tiradas as fotografias emblemáticas que figuram nos encartes do disco e do cd. Eu pirava só de vê a guitarra e o o baixo pintados como a capa do disco, imaginem a minha emoção em ver isso em vídeo e a CORES!!!! Don't cry babe!


A capa é um show a parte, eu tive o vinil, por questões econômicas tive que me desfazer, mas eu garanto que foi a capa mais bela que já tive em mãos. Os outros discos de rock que me perdoem, mas essa capa dos Stone Roses é uma obra de arte propriamente dita. Dá vontade de pendurar na parede e colocar uma legenda com as informações no rodapé tal qual em um museu.

Outro dia li na internet que o jornal inglês The Observer fez uma enquente entre os críticos e jornalistas ingleses sobre qual seria o maior disco de rock de todos os tempos... adivinha quem foi.

Pois bem, "The Stone Roses" é um disco lançado no apagar das luzes dos anos 80, mas voltado para uma década inteira pela frente. Porque não dizer que este seria o melhor disco dos anos 90? Bah foda-se data de lançamento!

Enfim, postar sobre um dos meus disco mais queridos do rock foi uma forma de presentear no dia de hoje.

See ya

PS.: Sou grato ao meu amigo Aerton "Mark" Reis por ter me apresentado os Stone Roses e por me vender os dois cds (inclusive o raríssimo "second coming").


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